Aos 40 anos de carreira, Josélia Ramalho lança primeiro álbum autoral no Theatro Santa Roza

“Parahybana” reúne composições que atravessam quatro décadas da trajetória de Josélia, da avó Antonina às tribos indígenas carnavalescas de Jaguaribe.

Imagine compor a vida inteira e só depois encontrar a coragem pra colocar tudo no mundo. É o caso da compositora, pianista e violoncelista paraibana Josélia Ramalho, que lança no dia 10 de agosto, em todas as plataformas digitais, o álbum “Parahybana”, seu primeiro trabalho autoral, depois de mais de quarenta anos dedicados à música. No dia 20 de agosto, às 19h30, ela sobe ao palco do Theatro Santa Roza, em João Pessoa, para o show de lançamento, ao lado de um time de instrumentistas que atravessa gerações, com destaque para o neto da artista, o pianista Davi Ramalho, de apenas 11 anos.

Gravado ao longo de um ano, de forma independente, o álbum reúne sete faixas instrumentais, sendo seis composições autorais e uma regravação do músico paraibano Escurinho, em cerca de trinta minutos de música que atravessam o Maracatu, o Baião e o samba-jazz, sem perder o fio que costura tudo: o piano de Josélia, ora solo, ora em diálogo com cello, sanfona, guitarra e vozes convidadas.

Leia também, show especial de Seu Pereira e Coletivo 401 celebra o lançamento em vinil do primeiro álbum da banda. 

Veja também este aqui:  Seu Pereira e Mike Deodato se encontram em tarde de autógrafos que celebra clássico da música paraibana relançado em vinil

Foto: Raquel Dantas

“A autoralidade artística foi interrompida, como a de muitas mulheres, para ser mãe, professora, esposa e também artista, mas numa posição coadjuvante, seja como música de orquestra ou como pianista acompanhadora”, conta Josélia. “E depois de 40 anos, a artista solo é capaz de se parir.”

Um piano que carrega memória

O álbum abre com o achado de um trecho de fita K7 gravado pelo Tenente Lucena nos anos 1980, capturando o desfile da Tribo Indígena Carnavalesca Ubirajaras do Rangel na avenida Duarte da Silveira, em Jaguaribe, bairro onde Josélia cresceu ouvindo, à noite, os sons das tribos e dos terreiros. É a partir desse recorte sonoro que nasce “Duarte da Silveira, Domingo de Carnaval”, composição de Escurinho que ela interpreta ao violoncelo, em arranjo de Helinho Medeiros que também leva a voz, a percussão corporal e a zabumba do próprio compositor.

Depois vêm as composições assinadas por ela. “Carrapicho”, nascida ainda no fim dos anos 1980, nos tempos em que Josélia tocava no Grupo Pongará; “Maracatu”, sua primeira peça autoral, escrita em Ré maior; e “Antonina”, em homenagem à avó paterna, com arranjo de acordeon de Helinho Medeiros, hoje diretor musical do álbum e, antes disso, aluno dela na UFPB. “5 de Agosto” nasceu para ser presente de aniversário da avó Antonina e virou, no compasso de 5/4, uma carta de amor a João Pessoa, com a guitarra convidada de Rafa Chaves. Já “O vinho e o sonho”, composta ao piano Donner que a acompanha desde os 13 anos, é a mais antiga do repertório, já havia sido gravada por Jurandy do Sax em seu LP “Saxomaníaco”, e ganha agora uma roupagem inédita, com quarteto de violoncelos 100% feminino formado por Teresa Cristina Rodrigues, Amanda Massa, Mayara Brito e Jennifer Souza. O disco se encerra com o xote “Céu de Junho”, cuja música é de Josélia, letra de Manoel Filho e voz de Pedro Índio Negro.

Veja também este aqui:  Shows de Helayne Cristini e Gaby Hardman marcam Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

“Parahybana” foi captado no Estúdio Peixe-Boi, em João Pessoa, sob engenharia de som de Marcelinho Macedo, e no estúdio Samback, no Rio de Janeiro, onde Sacha Amback registrou o piano, um Steinway B de Hamburgo. A direção musical é dividida entre Josélia Ramalho e Helinho Medeiros, a direção artística é assinada por Laurita Dias e a direção de show, por Izabella Aranha.

O show no Theatro Santa Roza

No palco, Josélia assume o piano e o cello à frente de um quarteto com Caju Sanfoneiro (sanfona), Cleanto Neto (baixo) e Linderberg Fernandes (bateria), recebendo ainda os convidados Helinho Medeiros (acordeon), Rafa Chaves (guitarra), o neto Davi Ramalho ao piano e o quarteto de violoncelos formado por Teresa Cristina Rodrigues, Amanda Massa, Mayara Brito e Jennifer Souza. O repertório vai além do álbum, passando por composições de nomes que marcaram e marcam a música paraibana, como José Siqueira, Glorinha Gadelha, Sivuca, Luizinho Calixto, Lucy Alves e o próprio Escurinho, além da mais nova geração, representada pelo próprio Davi, de 11 anos.

Veja também este aqui:  MC’Hirlla lança EP. de estreia "Gangstar do Underground" e realiza show gratuito de lançamento em João Pessoa

Sobre Josélia Ramalho

Pianista e violoncelista, doutora pela UNIRIO e mestre e bacharel em piano pela UFPB, instituição onde também se formou em violoncelo e onde atuou como professora. Ao longo da carreira, dividiu-se entre a sala de aula, a orquestra e a música popular, integrando o Grupo Pongará ainda nos anos 1980 e atuando como pesquisadora musical no longa “Toada para José Siqueira” (2019). “Parahybana” é seu primeiro álbum autoral.

Serviço
Lançamento do álbum: 10 de agosto, em todas as plataformas digitais
Show de lançamento: 20 de agosto às 19h30
Local: Theatro Santa Roza, João Pessoa
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), pela plataforma Shotgun
Produção executiva: Josélia Ramalho
Apoio: PianoLab/UFPB e Pianos Chateaubriand

Fonte: ASCOM

 

FacebookInstagram Youtube

Entre em contato com nossa redação

contato@seliganapauta.com

seliganapauta@gmail.com

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Scroll to Top